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A liberdade de ser falha

  • Foto do escritor: Alana Loiola
    Alana Loiola
  • 22 de abr.
  • 2 min de leitura

Quem tem a liberdade de falhar?


Alguns momentos, penso que minha análise faz uma espécie de “crossover” com o que escuto dos meus pacientes na clínica, nem sempre, mas acontece (olha a identificação!).


Escuto, em demasia, na clínica sobre a necessidade de “dar conta de tudo” (casa, trabalho, estudos, relacionamentos, lazer, e por aí vai...), esse dar conta de tudo é muita coisa, eu digo, uma espécie de idealização da performance do que é “ser adulto”.


Isso não me soa estranho, porque, assim como meus pacientes, sou tomada e esburacada por essa onda espinhosa de usar o tempo para ser produtiva, e se não for, há algo de muito errado nisso.


Mas, assim, não haverá espaço para falhas.


E falhar aqui é humanamente possível e inevitável, é uma saída da idealização e da ideia neoliberal de produção e uso do tempo. Endossada também pelo neoliberalismo, defensor de um individualismo exagerado, sem considerar o entrecruzamento do social em nossa vida.


O problema disso é não reconhecer que a idealização nos leva a ilusão, como se TUDO fosse realizável no tempo do desejo...


...e, CLARO, leva a desilusão também, a frustração de perceber a realidade das nossas “falhas”, que a performance não se sustenta em constância, sem erros, sem altos e baixos.


Falha é uma condição humana, ter a liberdade para ela deveria também ser um direito do sentir, um sentir sem intenso sofrimento.


A liberdade de podermos fazer nossas tentativas após uma queda, após um erro, após o próprio engano.


Digo liberdade, pois corremos o risco de nos aprisionar na idealização, e como outro dia disse na clínica: se pudermos ter a liberdade de falhar, acertar pode ser uma conquista comemorável.


[Continuarei falando sobre esse tema por aqui]



Alana Loiola

Psicanalista e Psicóloga CRP 11/11842

@alanaloiolapsicologa

 
 
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