Quanto nos custa observar apenas o diagnóstico?
- Alana Loiola
- 7 de ago. de 2024
- 1 min de leitura
“Nem sempre esmiuçar demais dá certo” C. Lispector em Clarice na cabeceira, p. 64, sempre que a leio e releio, sinto que algo se inaugura em mim.
Encontrando essa frase, perdida nas minhas notas do celular, pensei imediatamente nos diagnósticos e o excesso da necessidade para diagnosticar, na nossa atualidade.
Penso que quando alguém nos convoca a escuta-lo, ouvir o que lhe dói, não é com o diagnóstico que irei conversar, é com a pessoa, que por ventura possa ser meu paciente, escutarei o que lhe aflige, com seu contexto de vida, com sua história.
Tenho alguns pacientes que trazem seus diagnósticos (não posso perder de vista isso) para minha clínica, nunca descartei ou os questionei.
Mas quando vou ouvi-los, “como é essa tal ansiedade em você?”, eu posso chegar em muitos lugares que precisam ser cuidados.
Tomo um pensamento do autor Wilfred Bion, é preciso experimentar os sonhos, sonhar junto, entrar no fluxo do pensamento, seguir esse fluxo, experimentar dos pensamentos junto com o paciente, o que aquela mente tem produzido, tem pensado.
Logo, questiono, custa muito não escutarmos para além do diagnóstico, custa um distanciamento dessa relação tão importante analista-paciente, é nessa relação também que preciso prestar atenção e se possível escutar a vida, junto com todos seus detalhes, que entra em meu consultório.
Ps.: voltarei a falar mais sobre isso por aqui.
Alana Loiola


